"A vitória brilhará àquele que tímido ouse". Agostinho da Silva
Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013
Reforma, do quê?!

Nos últimos tempos, parece que há opiniões mais legítimas do que outras. A comunicação social tem exacerbado a corrente, não sei se dominante, mas certamente mais audível, de que é quase um crime defendermos determinados pontos de vista.

 

Por um lado, não podemos criticar as decisões do Tribunal Constitucional, porque isso constitui uma pressão inaceitável junto de um dos órgãos de soberania. Também não devemos dizer que o Estado viveu acima das suas possibilidades, uma vez que isso é automaticamente atentar contra o Estado Social. Tal como sustentar que a emigração tem factores positivos que não podemos desconsiderar é politicamente inaceitável.

 

Vivemos numa sociedade de tabus, com uma evidente falta de cultura democrática. Há uma linha que separa o que é politicamente correcto de ser defendido do que será alvo do achincalhamento público imediato sem margem para se poder discutir, de facto, a raiz dos problemas.

 

Vivemos tempos extraordinários, em que o principal partido da oposição se dá ao luxo de furtar à discussão da Reforma do Estado, quando a meses da saída da Troika do nosso país, continuamos sem perceber que, doravante, teremos de mudar de vida e que o Estado como o conhecíamos já não existe.

 

Um Estado que se traduziu nos últimos 40 anos num decréscimo de 36% da população jovem e num aumento de 140% da população idosa não é, pela frieza e objectividade dos números, susceptível de continuar imutável e imune às alterações impostas pela evolução demográfica a que assistiu.

 

Querer redimensionar o Estado à nossa real capacidade de o financiarmos não é acabar com o Estado Social, é, antes, torná-lo viável e sustentável para servir quem mais precisa. Tenho dúvidas se ainda há quem não tenha entendido que a realidade mudou ou queira, numa aliciante demagogia e populismo, escamotear e fugir ao debate de uma geração.

 

Enquanto isso, continuamos, calmamente, a adiar o inadiável, perdidos na espuma dos dias, sem respostas para o nosso problema. E assim vai o Estado da Nação.

 

 

Artigo publicado na edição do Jornal de Leiria de 21 de Novembro



publicado por Margarida Balseiro Lopes às 17:55
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